sexta-feira, 29 de maio de 2009

Chegou

By Marcel (Infelizmente)


Hoje cada gota de chuva, cada lágrima do céu, virá vestida de luz.

E ao cair da noite farei como o sacro escritor, que sussurra com olhos semi-cerrados de tranqüilidade:

“Chega a noite, apenas me deito e logo adormeço.”

O gosto de fel desapareceu.

Fez-se doce e virou mel.

Descansatividade

By Marcel (infelizmente)

Agito, brilho, luz, risada, lua e sol,

Lua e sol, agito, luz, brilho, risada,

Risada, brilho, lua e sol, luz, agito,

Brilho, luz, lua e sol, agito, risada,

Luz, risada, agito, lua e sol, brilho,

Risada, (vício!), brilho, lua e sol, luz, agito,

Brilho, (vício!), luz, (vício!), lua e sol, agito, risada,

Agito, (vício!), brilho, (vício!), luz, (vício!), risada, lua e sol,

Luz, (vício!), risada, (vício!), agito, (vício!), lua e sol, (vício!), brilho,

Lua e sol, (vício!), agito, (vício!), luz, (vício!), brilho, (vício!), risada, (vício!),

Luzada!, rito!, lua e solho!, azuz!,

Brilua!, solda!, risito!, luzlho!, agol!,

Brilhício!, agisada!, solito!, agituz!,

Rizilho!, luzitada!, lualho!, víciuz!,

Chega!

Paz...

Paz...

Paz...

Somente a paz...

Faço tudo outra vez

By Marcel (infelizmente)

Já tentei por diversas vezes fazer meu próprio caminho.

Dei muito soco em ponta de faca, cansei de fazer coisa errada.

Eu lembro, foi desde criança: já enfiei o dedo na tomada, levei tapa na cara, cai da escada,

Fechei a braguilha na hora errada, magoei quem eu gostava, invejei a pessoa errada,

Amei quem não me amava, ri quando não precisava, fiquei sério quando era pra dar risada,

Deixei minha alma viver cansada, dei valor a quem não precisava, engoli sapos e mais sapos de tonelada,

Cansei de ver mendigos na calçada e não fazer nada...

Mas, se é piegas o que vou falar, eu não sei.

Só sei que quem anda no escuro, cai de cara

E depois não diga que não avisei.

Pois está mais claro que o sol,

Que há uma LUZ, que não se apaga.

E se algo de que me arrependo,

De tanta coisa (que fiz) errada.

É saber que enquanto Deus me chamava (e me amava),

Eu simplesmente...

Virei a cara...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Morte que talvez seja o segredo dessa vida

By Marcel (infelizmente)

Tarde da noite, todos os amigos já tinham ido embora do barzinho onde costumavam se reunir toda quinta-feira à noite, após o trabalho.

Só permaneciam sentados na mesa, Martinho e Getúlio, amigos há pelo menos uns 15 anos. Como os assuntos já estavam esgotados e a cerveja já os tinha amolecido um bocado, Getúlio, o pensador, soltou uma das suas frases enigmáticas, que faziam Martinho, o sossegado, ficar pensando se realmente a vida era complicada daquele jeito que Getúlio falava:

- Eu não tenho medo da morte.

- Não?

- Não.

- Até parece.

- Tô falando...

- Ah tá...

- Sério, Martinho. Encaro a morte na boa, de peito aberto. Pra mim ela é como uma dama que irei beijar em qualquer esquina por aí, como diria Raulzito.

- Tá não tem medo. Mas você já encontrou com ela por aí?

- Como assim?

- Ué? Se não tem medo é porque já enfrentou!

- Não foi isso que eu quis dizer.

- Então tá, porque eu tenho medo da morte sim. Sabe lá o que tem do outro lado.

- Isso eu não posso te responder, mas quando a dama de preto me encontrar na esquina da vid...

- Que encontrar o que? Esquina da vida... ah! Seguinte Getulião, quando a tal dama da morte te encontrar na esquina da vida, pode ser que ela venha em forma de um cara encapuzado e com uma bala estourando no meio dos seus miolos!

- Se assim for o meu destino...

- Que destino o que rapaz! Destino de quem é morrer baleado?

- Ninguém sabe onde a dama negra irá te...

- Mas que dama negra, Getúlio? A morte é homem, mermão! Não tem nada de dama não!

- É uma dama com um beijo de gosto amargo e...

- Ah tá! Um monte de desgraça acontecendo e a morte é uma dama de beijo com gosto amargo! Uhum! Esses dias mesmo um terremoto levou um monte de chinês pro “sete parmo”, e foi por causa do beijinho da dama nega?

- Você não está enten...

- Beijo amargo tinha a Matilda, quando a gente ficou na festa da formatura. Aquilo sim era o beijo da morte. Ô bafo!

- Você ficou com a Matilda?

- Fiquei, e daí?

- Nunca me contou cara...

- Fiquei com vergonha.

- De mim?

- Não, da Matilda.

- Entendo...

- Foi horrível.

- Imagino.

- Mas isso não interessa! A morte é foda cara! Não é bonitinha não! Deixa um homem bomba chegar aqui perto, abrir o casaco e mostrar as dinamites na sua cara, e quero ver se você vai ter cú pra chama-lo de dama.

- Aqui não tem isso...

- Mas tem uns malandro tão cruel quanto. Aquele cara ali, por exemplo. Tá paradão na esquina um puta tempão, só de olho em sabe-se lá o que. Vai que ele resolve que é hora de matar um caboclo e vem aqui e coloca o “canão” na sua cara!

- Porque na minha?

- Ué, não é você que não tem medo da “dama”? Pois então... olha a “damona” ali, super lindinha te esperando com um beijo azedo...

- Não é azedo, é amargo.

- Tá, amargo... mas tá ali ó.

- Esquece esse assunto vai.

- É... pra que ficar discutindo algo desse jeito. Eu tenho minha opinião e você tem a sua.

- Vamos pagar então, Martinho?

- Beleza.

Pagam a conta e saem do bar.

- Onde você tá indo Getúlio?

- Embora...

- Por aí?

- Que tem?

- É por aqui!

- Na boa, Martinho, aquele cara ali da esquina tá muito suspeito mesmo. Vamos por aqui, junto comigo?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Pequeno Príncipe

By Marcel (Infelizmente)

Um dia, ao olhar o céu, eu tenho a certeza de que me encontrará a brilhar mais que as estrelas.

Serei um farol.

A imensidão negra será meu lugar.

E é de cometa em cometa que eu irei transpor todos os limites.

Para chegar até a mim bastará você olhar.

E de cometa em cometa eu irei para te encontrar.

Apenas durma para que eu possa te deixar e voltar junto às estrelas.

Como será bom me deixar ser empurrado pela Supernova!

De lá de cima dá para ver tudo!

E sempre que quiser me encontrar, bastará olhar o firmamento.

Se os cometas não me emprestarem sua cauda fria,

laçarei pássaros para não te fazer esperar.

Mas se o seu desejo for somente me olhar, eu lhe peço que olhe o céu.

Lá, me encontrará a brilhar mais, bem mais que as estrelas.

Plantação de Abobrinhas

By Marcel (infelizmente)

Tem muitas flores no meu jardim.

Uma só já basta para mim.

Tem muitas flores no meu jardim.

Uma só já basta para mim.

Tem muitas flores no meu jardim.

Uma só já basta para mim.

Tem muitas flores no meu jardim.

Uma só já basta para mim.

Tem muitas flores no meu jardim.

Uma só já basta para mim.

Maquiagem

By Marcel (infelizmente)

Por favor.

Se você tem um pouco de tinta, me empresta?

Pode ser tinta a óleo, esmalte, epóxi, tanto faz.

Até de aquarela pode ser.

Só queria um pouco da tinta emprestada, pra eu poder colorir.

Não sei pintar direito, mas improviso, eu dou um jeito.

Porque do jeito que está não dá mais!

As paredes, por fora, até que estão bonitas, quem olha não reclama.

Mas o interior está todo descascado, tem rachaduras por todo o canto.

Dá para ver o bolor que já está se formando e corre de cima para baixo.

Tem cupim no rodapé, e traças na parede.

Me empresta a tinta para eu pintar?

Pode ser tinta a óleo, esmalte, epóxi, tanto faz.

Até de aquarela pode ser.

Quem sabe eu arrisque uns desenhos, sei lá.

Eu conheço algumas pessoas que sabem pintar.

Já avisei a elas que deixo a porta aberta, se quiserem ajudar.

Não, melhor. Que batam na porta e eu as deixo entrar.

Engraçado.

A casa dos outros eu sei pintar.

Mas na minha própria eu deixo acinzentar.

Por fora não, por fora eu sei cuidar.

Então me empresta um pouco de tinta?

Senão, daqui a pouco, nem eu quero entrar.